A construção de um novo projeto político exige um forte enraizamento social e territorial, bem como a adoção de processos participativos que permitam reconstruir a ligação entre política e sociedade. As organizações de base local e a participação cidadã no desenho do projeto político assumem, assim, um papel central. 

A existência de uma maioria de direita no Parlamento e de um centro-esquerda social-liberal ansioso por acordos ao centro, abre espaço à convergência em torno de orientações económicas e sociais de carácter liberal, reforçando a pressão para reformas estruturais que ponham ainda mais o Estado ao serviço dos interesses da oligarquia dominante, que almeja rever a Constituição nesse sentido.

Observa-se atualmente a debilidade parlamentar das esquerdas tradicionais, fragilizadas pela perda do seu peso político e pela acrescida dificuldade em influenciar políticas públicas e em afirmar um projeto alternativo claro.

Neste quadro, a ocupação do espaço público, a mobilização das organizações dos trabalhadores, dos movimentos sociais e de cidadania, e da opinião popular em geral, como foi alcançado com êxito na greve geral de dezembro de 2025, e no repúdio do Pacote Laboral, torna-se o elemento central dos múltiplos combates contra a agenda neo-liberal.

Num contexto de descrédito das instituições, a reconstrução de maiorias sociais não se fará apenas através de discursos mediáticos ou estratégias eleitorais. Faz-se com presença regular no terreno, com solidariedade concreta, com capacidade de resolver problemas reais. Faz-se mostrando que a política pode melhorar a vida quotidiana e indicar novos horizontes.

As organizações de base local — associações de moradores, comissões de utentes, coletividades, associações culturais, cooperativas, movimentos sociais, nomeadamente os que lutam pelo direito à habitação, ambientais, antirracistas ou 

feministas — desempenham um papel importante na produção de conhecimento e na transmissão desse conhecimento para a formulação de políticas públicas, na mobilização comunitária e na formação política dos cidadãos intervenientes. O território tem de ser um espaço vivido e politicamente significativo.

Vamos:

  • Aprofundar a Democracia Deliberativa, com Assembleias de Cidadãos
  • Promover Orçamentos Participativos e Iniciativas Legislativas de Cidadãos
  • Articular as organizações de base com a intervenção municipal e de freguesia
  • Formular propostas locais e nacionais de forma participada
  • Defender a Regionalização como aprofundamento da democracia