Em Espanha, os sindicatos marcaram greve geral para 11 de novembro, por causa da habitação. E lançaram o desafio cá: fazer o mesmo, ao mesmo tempo. Chamaram-lhe Greve Saramago. A CGTP respondeu na quinta-feira: Greve geral, não; em vez disso, manifestação nacional em Lisboa, a 21 de novembro.
As manifestações são fundamentais e devemos dar-lhes todo o apoio. Mas, como se viu no caso do “pacote laboral”, não têm a mesma força de uma greve geral. Uma manifestação mostra a nossa indignação. Uma greve geral pára o país em torno de uma luta comum. E é isso que obriga os governos a ouvir.
Sabemos que uma greve geral não se organiza de um dia para o outro, e que traz consequências para a vida das pessoas. Ninguém quer uma greve que não mobilize os trabalhadores. Mas uma greve prepara-se convocando, explicando e juntando gente. A CGTP não fechou a porta e afirma que todas as formas de luta estão em cima da mesa. Num momento de contestação generalizada, não podemos ficar à espera da prudência das direcções.
Uma manifestação não exclui uma greve geral. E uma greve geral não tem de esperar pela licença de quem já decidiu que ainda não é a altura. A Greve Saramago não pode ser só uma boa ideia no outro lado da fronteira: muitos dos problemas que afectam a sociedade espanhola e a portuguesa são semelhantes. Se uma greve geral se justifica em Espanha, também se justifica em Portugal.
Por isso, apelamos à CGTP e a UGT que revejam as suas decisões. Os trabalhadores, os movimentos pela habitação e grande parte da sociedade portuguesa estão saturados. A 11 de novembro, Portugal não deve ficar de fora.”
1 de novembro de 2026
vamos – democracia solidária

